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Canil da PM evolui e cães de faro ficam ‘famosos’ após êxitos em ocorrências e apreensões de drogas

Publicada em 14/09/20 as 19:47h por Por Stephanie Fonseca, G1 Presidente Prudente - 5 visualizações


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 (Foto: Foto: Arquivo/G1)
De um início considerado “ornamental” e social, o cão se mostrou cada vez mais eficaz dentro da Polícia Militar no Oeste Paulista e foi “promovido” a uma das principais ferramentas de combate ao crime organizado. As equipes K9, que antigamente tinham como foco demonstrações ao público, desenvolveram o elo entre cão e homem, e o uniu ao trabalho policial, mostrando a agilidade do cão, que “sempre está certo”.

São 36 anos de histórias compostas de mudanças, dificuldades, conquistas, parcerias, que o G1 foi conhecer e apresenta em três reportagens. Passado, presente e futuro que se conectaram para o trabalho na segurança pública paulista.

Transição e desenvolvimento

Após o primeiro êxito dos cães farejadores na localização de entorpecente, em 2000, os olhos se voltaram ainda mais ao Canil, que atualmente, na região de Presidente Prudente, pertence ao 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).

Roberto Francisco das Neves atuou no Canil e conduziu o cão Kauê, um dos mais conhecidos — Foto: Stephanie Fonseca/G1Roberto Francisco das Neves atuou no Canil e conduziu o cão Kauê, um dos mais conhecidos — Foto: Stephanie Fonseca/G1

A transição entre a demonstração de costume e o trabalho de cão de faro foi, ao mesmo tempo, “gratificante” e “bem difícil”, conforme contou ao G1 o agora sargento aposentado Roberto Francisco das Neves. O policial começou a atuar no Canil em 2002 e passou para a reserva no ano passado.

Quando Roberto entrou no Canil, o foco ainda era os cães de demonstração em escolas, em eventos, em desfiles sociais de cunho social, datas festivas, entre outros. “E a partir de quando começamos a trabalhar cão de faro foi um fardo a mais, gratificante no final, mas o início, tudo que se tem no início é dificultoso, vai se ajeitando no decorrer do tempo”, lembrou.

As equipes não conheciam muito bem a modalidade de treinamento e o pessoal antigo acreditava que “acontecia alguma coisa errada”. Diante disso, segundo contou Roberto ao G1, o plantel foi contatar, no Canil de São José do Rio Preto, uma pessoa que estava entre as referências no conhecimento sobre faro de entorpecente.

Roberto e outro integrante do Canil passaram três dias em São José do Rio Preto adquirindo conhecimento. “A partir daí a gente começou a desenvolver melhor, otimizar mais o treinamento, aprender novas técnicas, e começou a realmente trabalhar com cão de faro com um pouco mais de qualidade”, revelou ao G1.

Ao longo da trajetória no Canil, o policial aposentado teve a felicidade de ter três cães que o marcaram muito.

“O primeiro deles foi o Ranz, um pastor alemão capa preta que nós conseguimos, quando falo nós que a gente treina sempre em equipe, nunca será eu, será a equipe, nós conseguimos fazer esse cão pra busca e localização de pessoas; posterior teve o Kauê, meu primeiro pastor de malinois, faro de entorpecente, marcou muito toda a trajetória com esse cão; posterior, a cadela Mayla, também de faro de entorpecente”, relatou.

Cão Kauê

Ainda numa época em que o público externo desconhecia como funcionava o trabalho do Canil e a localização dos entorpecentes, um dos cães começou a se destacar: o pastor belga de malinois Kauê, cão já aposentado que era treinado e conduzido por Roberto.

“Quando o cão começou a se destacar, toda ocorrência que [ele] ia sempre achava enterrado, em cima de telhado e tal, o pessoal começou a tentar sabotar, que ia colocar veneno, mal sabem eles que a gente faz uma vistoria de segurança antes de começar, antes de colocar o cão para trabalhar, ou seja, esse tipo de situação não ia funcionar, mas deixe que pensem dessa forma”, relatou ao G1.

Cão Kauê durante uma ocorrência registrada em setembro de 2015 — Foto: Heloise Hamada/G1Cão Kauê durante uma ocorrência registrada em setembro de 2015 — Foto: Heloise Hamada/G1

Foram várias as ocorrências com a participação de Kauê. Uma das mais lembradas pelas equipes foi num mês de dezembro, quando o preso disse que "o cão acabou" com seu fim de ano, já que a venda das drogas apreendidas arrecadaria dinheiro para as festividades da época.

A ocorrência foi no Conjunto Habitacional Brasil Novo, em Presidente Prudente. Após uma abordagem da Polícia Militar e a localização de drogas, foi acionado o apoio do Canil. A equipe foi e realizou os procedimentos de praxe, quando constatou que havia terrenos baldios. Em buscas nesses locais, foram localizadas porções de crack e de maconha.

“Essa ocorrência marcou bastante. Inclusive no depoimento dele consta isso aí. Ele avocou a culpa toda pra ele. Em momento algum ele tentou negar que aquela droga era dele, pelo contrário, falou que o cachorro ‘Kaique’, que na verdade é Kauê, conseguiu estragar o final de ano dele e da família dele”, lembrou ao G1.

Roberto e o cão Kauê, em 2015 — Foto: Stephanie Fonseca/G1Roberto e o cão Kauê, em 2015 — Foto: Stephanie Fonseca/G1

Outra situação que marcou Roberto e a “fama” de Kauê foi em Álvares Machado.

“Toda semana apoiávamos o pessoal da Polícia Civil e pessoal da área do policiamento, e o que aconteceu? Fomos quatro vezes no mesmo endereço durante a semana e nas quatro vezes foi localizado entorpecente, no mesmo endereço, no mesmo local. Resultado disso daí, foram presos primeiro os filhos, depois os tios, depois os pais e por último a mãe dele [um dos presos]. A família inteira. E o que eles alegaram? Que foi a Polícia Civil que tinha colocado entorpecente lá”, lembrou ao G1.

Sendo assim, alguns parentes foram morar na casa. Nesse ínterim, um dos primeiros processos pediu uma reconstituição. “Uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar, foi inédito: reconstituição de crime com cão. O que aconteceu?”.

Então, a equipe voltou à casa.

Para a reconstituição foram colocados dois invólucros no imóvel, sendo um com farinha comum e um com entorpecente. O que estava com a droga foi colocado em um dos pontos que já havia sido localizada a substância, enquanto que o outro com farinha foi deixado embaixo de um balde que estava logo na entrada da residência.

O balde foi ignorado por Kauê, que foi direto ao colchão onde estava escondido o entorpecente recolocado no quarto para a reconstituição.

“Pagamos o brinquedo e maravilha. Fiquei brincando com ele [Kauê] na sala ali, o pessoal [peritos] filmando tudo certinho, e o Kong [brinquedo] saiu da boca dele, daí ele saiu farejando de novo. Deu a volta, saiu na cozinha, subiu numa torneira num tanquinho desses de plástico, subiu na torneira e começou a latir e morder, tentando morder a torneira”, lembrou Roberto ao G1.

Com a indicação do cão, os policiais foram verificar a pia e nada. Ao tentar abrir a torneira, nada de água. O fato chamou a atenção e, ao fiscalizar melhor o objeto, os militares encontraram entorpecentes em um saquinho plástico. A droga foi entregue ao Promotor de Justiça que acompanhava a ação.

Mais uma vez Kauê “ganhou” o brinquedo, mas Roberto o tirou novamente do cão, que voltou ao trabalho de faro. Então, num corredor, em um vaso de flor, o malinois detectou que havia entorpecente ali. Começou a cavação e começou a sair tabletes de maconha do jardim.

“Ou seja, o pessoal continuava traficando ali. Isso foi filmado, tudo bonitinho. O delegado começou a dar risada, o promotor ficou olhando sem entender”, lembrou ao G1. “Aí o cachorrinho ficou um pouco mais famoso”, disse Roberto.

'O cão sempre está certo'

No início do ano de 2016, Roberto foi buscar em Botucatu (SP) uma nova integrante para o Canil, a cadela Mayla, da raça pastor belga de malinois. Aos nove meses de idade, a filhote começou a ser treinada pelo então cabo da PM. Ela continua na ativa.

“Em abril de 2016 ela veio pras minhas mãos e no mês oito de 2016 ela já estava na primeira ocorrência dela, ou seja, pouco tempo de treinamento, foi bem rápido o treinamento”, contou ao G1.

Cadela Mayla continua na ativa em trabalhos da Polícia Militar — Foto: Stephanie Fonseca/G1

Cadela Mayla continua na ativa em trabalhos da Polícia Militar — Foto: Stephanie Fonseca/G1

Foi com uma ocorrência de Mayla que Roberto reforçou ao G1 uma tese dos canileiros: "o cão sempre está certo e a gente erra".

Em um apoio, Mayla começou a trabalhar em uma casa e começou a raspar um travesseiro. Como ela tinha um “defeito” de morder coisas, entre elas travesseiros – pois quando o usuário dorme deixa o odor de droga – Roberto tirou o travesseiro e a levou para outros cômodos da casa.

Contudo, a cadela voltou e novamente pegou o travesseiro na boca e saiu do quarto, ficando próxima da sala. “Ela saiu com o travesseiro pendurado e começou a balançar e caiu um tablete de maconha de dentro. Pra ver, sempre acredita no cão; apesar dela ter esse defeitinho aí, conseguimos achar o entorpecente; o pessoal começou tudo a dar risada”, recordou.

E após tantos anos, ocorrências, aprendizado, em 2019 Roberto passou para a reserva e deixou o Canil, trabalho que ele considera “maravilhoso”. “Sempre quis vir pro Canil. Demorou pra eu vir pra cá, demorou cerca de três anos pra eu conseguir vir pro Canil”, destacou ao G1.

O militar da reserva contou que o trabalho desenvolvido no Canil “sempre foi crescente” e relatou que havia certa “preocupação” de quando a aposentadoria chegasse não haver pessoas novas com vontade de trabalhar.

“Hoje em dia tem muita gente que quer trabalhar, que realmente quer treinar cão; então vejo o Canil sempre na crescente, e que continue assim. Eu fico orgulhoso do pessoal que está aqui. Mas, sempre dá para melhorar”, finalizou Roberto ao G1.

Treinamentos com os cães de faro são constantes  — Foto: Stephanie FonsecaTreinamentos com os cães de faro são constantes — Foto: Stephanie Fonseca




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