18 99698-0957

NO AR

Coração da Igreja

Com Padre Rodrigo Gomes

Brasil

Projetos arquitetônicos propõem recuperação e intervenção urbanística no trecho da ferrovia em Presidente Prudente

Publicada em 14/09/20 as 19:42h por Por Aline Costa, G1 Presidente Prudente - 5 visualizações


Compartilhe
   

Link da Notícia:

 (Foto: Foto: Reprodução)
Com a chegada dos 103 anos de Presidente Prudente, comemorados nesta segunda-feira (14), o G1 buscou encontrar projetos, que têm o objetivo de renovar a estrutura do município, trazendo mais acessibilidade e facilidade aos moradores. Além disso, projetos que enxergam a importância da constante evolução da cidade.

Quando se pensa em Presidente Prudente, muitos pontos importantes do município vêm à cabeça. Entre os principais, está a linha férrea. O local, que atualmente vive em estado de degradação e abandono, é alvo de projeções que buscam a recuperação e revitalização do espaço.

Dois projetos elaborados pelo arquiteto e urbanista Humberto Pomini Dias, de 34 anos, propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia no trecho urbano de Presidente Prudente. Os trabalhos foram apresentados no curso de arquitetura e urbanismo, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde o especialista concluiu sua formação acadêmica.

Recuperação

O primeiro projeto é um estudo para a recuperação do leito ferroviário no trecho urbano da cidade, apresentado por Dias em uma disciplina do curso de arquitetura e urbanismo.

"Com isso, devolvendo a sua importância estruturante para formação urbana do município, revertendo o processo de degradação em que se encontra atualmente. Dando a este o uso para qual de fato foi pensado, que é o transporte. Agora seria utilizado para o transporte urbano, aproveitando todo seu leito, criando um VLT [Veículo Leve sobre Trilhos] urbano, ligando pontos nodais da cidade", explicou o arquiteto ao G1.

De acordo com Dias, o objetivo principal é ligar a periferia ao Centro da cidade, criando estações de embarque e desembarque, que também seriam aproveitadas como pontos de estações culturais.

Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução
Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução

"Esses locais, além de de arte, também trariam exposições contando a história do bairro onde a estação está inserida, de forma a levar acessibilidade e cultura para locais onde atualmente sofrem pela falta de direito a cidade, tanto do ponto de vista do transporte público, quanto do ponto de vista cultural. As estações passariam a ser pontos atrativos, levando as pessoas do Centro a periferia também, não só com o objetivo de transporte, mas para a visitação pelo atrativo cultural e pela própria arquitetura das estações", disse.

O projeto também prevê a alteração do zoneamento, criando uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), ao longo da linha do VLT, para garantir que as habitações permaneçam próximas da linha, e evitar futuros processos de gentrificação que a valorização da área possa causar.

"Desta forma, a recuperação da linha férrea de Presidente Prudente seria muito mais que uma obra de mobilidade urbana, mas sim um projeto estruturante de revitalização e resgate histórico cultural da cidade como um todo", afirmou o especialista ao G1.

Intervenção urbanística

Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução
Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução

O segundo projeto apresentado por Dias, este em seu Trabalho Final de Graduação (TFG), se refere a uma intervenção urbanística para resgatar áreas, principalmente as da zona leste do município. Esse trabalho foi nomeado de “Além Linha”.

"O trabalho faz um recorte de uma área especifica no bairro Vila Marina, onde paradoxalmente por um lado concentra-se problemas de acessibilidade, precariedade habitacional, falta de equipamentos públicos, desornamento urbano, e por outro é uma área muito próxima ao Centro da cidade com um grande potencial construtivo. Através de consórcio imobiliário, um dos instrumentos urbanos contemplados no Estatuto da Cidade, a Prefeitura, através de parceria público privadas, realizaria uma intervenção urbana no bairro criando novas unidades habitacionais, retificação de passeio publico, ligações pedonais acessíveis e arborização urbana", explicou o arquiteto ao G1.

Conforme o profissional, a lógica da intervenção através desse instrumento é aproveitar o potencial construtivo ocioso dos imóveis existentes, contemplando principalmente os mais precários.

"Desse modo os proprietários dos imóveis cedem a área para o poder público realizar a construção de novas unidades habitacionais aproveitando o máximo do coeficiente construtivo, e recebem de volta unidades do poder público a unidade habitacional nova, e os excedentes de novas unidades passam a ser comercializadas para custear toda a operação. Como as unidades são devolvidas ao proprietários e os moradores de aluguel seriam contemplados com unidades habitacionais através dos programas de interesse social, a operação evita o processo de gentrificação, permitindo que os atuais moradores não sejam expulsos do bairro pelo especulação imobiliária", ressaltou.

Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução
Projetos propõem a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, em Presidente Prudente — Foto: Reprodução

Na área contemplada, conforme contou Dias ao G1, o estudo se referenciou em grandes conjuntos habitacionais realizados no período modernista, como o caso do Conjunto Habitacional Pedregulho, no Rio de Janeiro, porém, aproveitando os vazios existentes nos lotes, não sendo necessário a demolição da maioria dos imóveis. Somente os mais precários seriam removidos e os demais seriam requalificados.

O arquiteto também planejou a criação de uma ligação pedonal para dar acessibilidade aos pedestres que vem do Centro da cidade pela Avenida Manoel Goulart, atravessam a linha e precisam vencer um desnível de mais de três pavimentos. Essa ligação seria feita através de rampas passando pelo próprio conjunto habitacional.

"Desse modo, esta operação busca uma requalificação urbana e econômica dessas áreas consideradas Além Linha, criando uma nova dinâmica para estes bairros, incluindo eles na lógica da produção imobiliária do município, criando adensamento populacional em áreas próximas ao Centro, que hoje encontram-se desvalorizadas e subutilizadas", informou ao G1.

Sonho

O orientador do TFG, Roberto de Almeida Floeter, que foi professor da Unesp, contou ao G1 que Dias, por ser de Presidente Prudente, se interessou em produzir o projeto e, a partir daí, o executou com maestria, mostrando que é possível fazer a recuperação e a intervenção urbanística da ferrovia, desde que haja uma parceria público-privada.

"O Pomini aceitou o desafio e tirou nota máxima na execução do trabalho. Desenvolveu com maestria. Levei o projeto pronto à atual gestão, mas me disseram que isso era utopia. Eu respondi que a gente só anda quando sonha, e para isso era necessário aceitar o desafio. É possível a realização, se aplicar os instrumentos urbanísticos do Estatuto da Cidade e colocar em prática o próprio Plano Diretor do município", acrescentou.

Interesse

O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Presidente Prudente e com a empresa Rumo, responsável pela linha férrea, questionando se havia o interesse por parte de cada um em implementar os projetos na ferrovia.

A empresa Rumo, por meio de nota, disse ao G1:

"A concessionária esclarece que possui concessão para exploração do transporte ferroviário de cargas, sendo vedadas atividades voltadas ao transporte de passageiros, seja regular ou eventualmente. A Rumo não se contrapõe a projetos voltados à instalação de VLT em trechos operados pela concessionária, desde que estes sigam os trâmites estabelecidos nas normas/legislações vigentes, quesitos técnicos e, sejam autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)".

Já a Prefeitura não se manifestou até a publicação desta reportagem.




ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário


Insira os caracteres no campo abaixo:








.

LIGUE E PARTICIPE

(18) 99698-0957 ou (18) 3918-5300

Visitas: 349112
Usuários Online: 37
Copyright (c) 2020 - Onda Viva 95,7 FM - Desenvolvido: André Fogaroli - (44) 98431-2714